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Abelhas carregam nas asas boa parte da economia de Santa Catarina

Mel já foi escolhido como o melhor do mundo por 5 vezes; polinização ajuda outras culturas

  • Publicado: Quarta, 10 de Julho de 2019, 12h25
  • Última atualização em Quinta, 11 de Julho de 2019, 17h48

A polinização feita pelas abelhas garante a produção de muitos alimentos: papel fundamental no planeta — Foto: Anastácio Vieira Filho/ Vc no TG

Escolhido por cinco vezes como o “melhor do mundo” pela Federação Internacional de Associações de Apicultores, o mel produzido em Santa Catarina não é apenas um exemplo de método de produção e qualidade. Ele é o resultado do respeito ao meio ambiente e às protagonistas dessas conquistas: as abelhas. Para ser considerado o melhor, o mel deve reunir algumas características essenciais como a cor, o aroma, o sabor e sua composição em açúcares. Ao investir em um bom manejo e produtos orgânicos no lugar de componentes químicos sintéticos para controlar pragas e doenças, o que se obtém nas cidades catarinenses é um alimento rico em minerais e com um açúcar menos nocivo. Além dessa contribuição, também é possível dizer que as abelhas carregam em suas asas boa parte da economia do estado, já que a polinização promovida por elas garante o sucesso de muitas outras culturas como a do pêssego, ameixa e da maçã, a maior do Brasil atualmente. 

"A apicultura, por si só, é uma atividade que mantém a biodiversidade e promove a preservação ambiental. Todo apicultor é, por sua essência, um defensor do meio ambiente."
— Ênio Frederico Cesconetto, presidente da FAASC
 
“Particularmente aqui, a diversidade de floradas contribui. Uma vantagem em relação a outras regiões do Brasil é o clima mais ameno e frio, que gera um mel normalmente mais frutado, com sabor mais acentuado. Um terceiro elemento é o HMF (hidroximetilfurfural, molécula resultante da transformação dos monossacarídeos: frutose e glicose), que é tóxico e tira a qualidade do mel. Ele aumenta à medida que a temperatura se eleva. Por sermos um estado com o clima um pouco mais frio, o efeito é positivo. Isso diferencia o nosso mel de praticamente o resto do mundo”, comenta Ivanir Cella, coordenador de apicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), ligada à Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca.
 
Abelha-européia deu lugar às africanizadas a partir de 1950 nas cidades catarinenses: mel com mais nutrientes — Foto: Arquivo TG
 
Já Ênio Frederico Cesconetto, presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores do Estado de Santa Catarina (FAASC), ressalta as potencialidades do melato de bracatinga, que surge a partir da secreção de uma cochonilha (pequeno inseto) que se hospeda nas bracatingas (árvore nativa do planalto Sul do Brasil). As abelhas utilizam essa secreção para produzir o seu mel e o resultado é um produto com grande quantidade de minerais. Ele é indicado como alimento para pessoas idosas, pois através do mel os minerais são melhor absorvidos pelo organismo. “Os méis de Santa Catarina não se diferem de outros do Brasil em relação aos nutrientes, mas o melato sim, que é produzido das secreção nas plantas. Ele é escuro e tem muito mais mineiras e o açúcar é um pouco menos danoso”, confirma Cesconetto.
 
“Toda maçã que é produzida em SC, que é uma das melhores do País, se consegue graças à polinização. Além da maçã, as abelhas também ajudam nas produções de pêssego, ameixa, kiwi e outras frutas."
— Ênio Frederico Cesconetto, presidente da FAASC
 

A Região Sul, especificamente as terras catarinenses, tem uma topografia montanhosa e, na regiões de serra, onde ocorre a transição entre os tipos de vegetação - a Mata Atlântica e a Floresta Ombrófila Mista do planalto – esse é o fator que mais contribui para a produção de méis diferenciados.

Em Santa Catarina, a apicultura aproveita os terrenos onde não seria possível produzir outras culturas: benefícios ao meio ambiente — Foto: Arquivo TG

As abelhas que produzem no estado são do gênero Apis – com ferrão - e da espécies apis melífera, com predominância para a abelha africanizada. Elas foram trazidas para o Brasil pelos colonizadores europeus e, a partir da década de 1950, houve a introdução das abelhas africanas. Atualmente, existem cerca de 9 mil famílias de apicultores no estado que produzem, em média, 6,5 mil toneladas de mel por ano. O faturamento bruto dessa produção gira em torno de R$ 200 milhões. São aproximadamente 45 mil pessoas envolvidas na cadeia produtiva do mel.

O nosso grande ganho com as abelhas está na polinização das culturas. Além disso, a apicultura pode ocupar áreas íngremes onde não poderia haver outra cultura.”
— Ivanir Cella, coordenador de apicultura da Epagri

Além disso, há de 4 mil a 5 mil meliponicultores, que atuam com as abelhas sem ferrão. Nesse caso, seu ganho vai do aluguel de colmeias para que haja a polinização de outras culturas. Atualmente, existem 300 mil colmeias em Santa Catarina, sendo 45 mil delas utilizadas na polinização de pomares, especialmente de maçã.

Trabalhadoras

A importância das abelhas em Santa Catarina vai além da produção de mel, que hoje ocupa a 21ª posição no que diz respeito à receita gerada para o estado no setor agropecuário. A polinização de outras culturas traz riquezas ainda maiores. Elas garantem a continuidade das safras nos 20 mil hectares de maçãs, por exemplo. São R$ 70,00 por colmeia ao mês que os apicultores recebem por alugar suas abelhas. Um ganho para eles, para o estado e também para a natureza.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2019/06/21/abelhas-carregam-nas-asas-boa-parte-da-economia-de-santa-catarina.ghtml

 
 
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